Pfalzgrafenstein Castle on the island in the Rhine
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Europa Ocidental de trem — de Londres ao Reno em cerca de 10 dias

PHOTO: TRAVELERS ROUTE

Quatro países de trem: de Londres a Bruges no Eurostar, e depois Amsterdã, Colônia e o vale do Reno, com a divisão das noites, a ordem das reservas e o preparo da ETA e do ETIAS.

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19 min de leitura

Notas de campomaio de 2023 · a rota por terra de quatro países: Londres, Bruges, Amsterdã e o vale do Reno, percorrida no terreno

Preços e regras conferidos pela última vezjulho de 2026

Quando você vai percorrer vários países europeus numa só viagem, por que voar entre as cidades? Ligue-as por terra. A rede de alta velocidade da Europa Ocidental é tão densa que o caráter das ruas muda por completo a cada fronteira, e ainda assim viajar é surpreendentemente fácil. Este guia cobre toda a engrenagem de uma vez: o Eurostar e as conexões de alta velocidade, como dividir as noites e os trâmites da ETA/ETIAS.

A versão curta: a rota que percorremos de verdade (4 países, cerca de 10 dias)

TrechoNoitesComo
Voo de chegada → Londres2 noites + a costa de BrightonVoo de longo curso do Brasil (GRU); Londres é um grande hub internacional
Londres → Bruges1 noiteEurostar ~2 h + trem IC ~1 h
Bruges → Amsterdã2 noitesAlta velocidade ~3 h (baldeação em Bruxelas)
Amsterdã → Colônia2-3 noitesICE ~2 h 40 min
Colônia → Frankfurt(pelo vale do Reno)ICE ~1 h / ou trens regionais + cruzeiro KD pelo desfiladeiro
Frankfurt → voo de voltaVoo de longo curso de volta ao Brasil; Frankfurt é um grande hub intercontinental

O grande atrativo destes quatro países é que suas personalidades nunca se sobrepõem: uma capital insular (Londres), uma cidade medieval (Bruges), uma cidade de canais e arte (Amsterdã), um grande rio ladeado de castelos (o vale do Reno). Cada trajeto se resolve com uma única conexão de trem confortável, e os trâmites de fronteira se resumem a sair do Reino Unido e entrar uma vez no espaço Schengen: depois da Bélgica, você passa para os Países Baixos e para a Alemanha sem nenhum controle de fronteira. Londres e Frankfurt têm boas conexões de longo curso com o Brasil, então a forma mais eficiente de montar a viagem é uma passagem open-jaw (entrar por um aeroporto e voltar por outro).

Uma torre de igreja ao lado do The Shard, Londres
O ponto de partida é Londres. Ande o desnível de um dia antes de apanhar o Eurostar — FOTO: TRAVELERS ROUTE

Trecho 1: Londres → Bruges (Eurostar mais uma baldeação)

O prato forte da viagem por terra é o Eurostar, que cruza sob o estreito de Dover pelo Eurotúnel. De Londres St Pancras até Bruxelas-Midi são cerca de 2 horas; ali você troca por um trem InterCity e Bruges fica a pouco mais de 1 hora. Três avisos: o Eurostar tem trâmites de fronteira no estilo aeroporto, então chegue à estação 45–60 minutos antes da partida; os assentos são marcados e as reservas mais antecipadas são as mais baratas (as tarifas de última hora podem dobrar); e tanto o controle de saída do Reino Unido quanto o de entrada no Schengen são feitos em St Pancras antes de embarcar: na chegada a Bruxelas não há controle de passaporte. Bruges funciona como bate-volta, mas a Bruges de verdade são os paralelepípedos à noite, quando os visitantes de um dia se retiram, então recomendamos uma noite. Para a cidade em si, veja o guia de viagem de Bruges; para subir ao campanário, o guia da subida ao campanário; para comer, o que comer em Bruges.

Barcos turísticos nos canais de Bruges
Durma uma noite na cidade medieval e conhecerá as ruas depois de os visitantes de um dia partirem — FOTO: TRAVELERS ROUTE

Trecho 2: Bruges → Amsterdã (alta velocidade, cerca de 3 horas)

Na manhã seguinte, rume ao norte a partir de Bruges. Com baldeação em Bruxelas ou Antuérpia você chega à Amsterdã Centraal em cerca de 3 horas (há várias combinações: IC direto, ou Thalys/Eurostar). Não há controle na fronteira entre a Bélgica e os Países Baixos; a paisagem simplesmente vira canais e prados do outro lado da janela, que é todo o prazer de viajar por terra. Amsterdã é a cidade onde tudo se reserva com antecedência: o Museu Van Gogh é só com ingresso de horário marcado, vendido exclusivamente pela internet (cerca de 25 €), então garanta os ingressos antes de chegar. Com duas noites na cidade você consegue encaixar um bate-volta ao vilarejo sobre a água de Giethoorn ou aos moinhos de Zaanse Schans (o plano completo está em Amsterdã e Giethoorn em 3 dias). Um aviso firme: mantenha-se longe dos coffeeshops (lojas de cannabis) — vários países aplicam a sua legislação sobre drogas aos próprios cidadãos mesmo no exterior.

O rochedo Loreley sobre o Reno
O ponto mais estreito e difícil do rio. Aqui os barcos viram com força — FOTO: TRAVELERS ROUTE

Trecho 3: Amsterdã → Colônia → o vale do Reno (trens ICE e cruzeiros entre castelos)

O trecho final é feito no ICE International de alta velocidade alemão. De Amsterdã a Colônia são cerca de 2 horas e 40 minutos, e assim que você sai da estação dá de cara com a Catedral de Colônia — o auge da arquitetura gótica, 632 anos de construção, com ingresso turístico pago desde julho de 2026 —, que abre a segunda metade da viagem. Frankfurt fica a pouco mais de 1 hora no ICE, mas nossa firme recomendação é costurar o vale do Reno de trem regional e barco: um desfiladeiro Patrimônio da Humanidade eriçado de castelos, visto da água num cruzeiro pelo Reno da KD. Da sua base em Frankfurt, aproveite o Römerberg e o vinho de maçã de Sachsenhausen. Os três trechos estão desenhados em detalhe em Colônia e o vale do Reno em 4 dias. O aeroporto de Frankfurt tem uma das redes de longo curso mais densas da Europa, o que o torna o ponto final perfeito.

Dividir as noites, e como ampliar

Nossa divisão real foi Londres 2, Bruges 1, Amsterdã 2, Colônia/Frankfurt 2-3. O veredicto depois de percorrer: uma noite em Bruges é inegociável (um bate-volta perde o entardecer), duas noites em Amsterdã é o justo para os museus mais um dia de vilarejo sobre a água, e presentear o vale do Reno com um dia inteiro de viagem sem pressa é um luxo que vale a pena. Se você puder acrescentar dias: (1) um dia a mais em Londres (o British Museum e um bate-volta às Seven Sisters; veja um fim de semana em Londres e Brighton), ou (2) estender até a Espanha por Barcelona (2 horas de avião a partir de Frankfurt; veja nosso guia da Espanha). Vai apertado de dias? Transforme Bruges em bate-volta e aperte a rota em três cidades: Londres → Amsterdã → Colônia.

Reserva e preparativos, por ordem de prazo

  • 1. Voos (open-jaw) — entrando por Londres e saindo por Frankfurt, a rota por terra fica em linha reta. Mais eficiente que um ida e volta para um único aeroporto
  • 2. Eurostar — assentos marcados; as reservas antecipadas saem por menos da metade do preço. Reserve assim que fechar o roteiro (na última hora, ou esgotado ou caro)
  • 3. Autorizações de viagem — para o passaporte brasileiro, a UK ETA já é obrigatória para entrar no Reino Unido (£20, válida 2 anos, só no site oficial gov.uk). Para o espaço Schengen, o brasileiro é isento de visto (90 dias em 180), mas a ETIAS se aplica aos brasileiros (ainda não obrigatória; prevista para cerca de 2027, ≈20 €) — verifique na fonte oficial antes de viajar, pois a data segue indefinida. Some a isso o seguro viagem com cobertura mínima de 30.000 €, que é de fato exigido no Schengen (o brasileiro não tem cartão europeu de saúde). O registro biométrico EES na entrada/saída do Schengen também se aplica a você, como visitante de fora da UE
  • 4. Ingressos com horário — o Museu Van Gogh e o campanário de Bruges esgotam os horários, então reserve logo após fixar as datas. Os cruzeiros pelo Reno são de temporada (de maio a outubro é a boa)
  • 5. Passe de trem vs. bilhete a bilhete — cruzar quatro países em poucos dias põe na mesa o Eurail/Interrail Global Pass. Mas o Eurostar exige uma taxa de reserva de assento à parte, então, com poucos trajetos, comprar os bilhetes separados pode sair mais barato. Faça as contas do ponto de equilíbrio conforme o seu número de trajetos

Para quem esta rota funciona, e para quem não

Funciona bem para: viajantes que querem cidades de caráter completamente diferente numa só viagem; gente que prefere as janelas do trem e o clima de estação aos portões de embarque; qualquer um que queira um pouco de tudo: arte, história, gastronomia, paisagem. Não funciona bem para: viajantes que querem se aprofundar numa só cidade (1-2 noites por parada é um ritmo animado), quem carrega bagagem pesada e sofre com as trocas frequentes de trem, ou quem busca uma praia. Com duas noites por quatro cidades, mover-se faz parte da viagem, então uma mala de tamanho cabine é a linha entre o conforto e o suplício. Ainda na dúvida? Comece por um ou dois dos guias de país abaixo e descubra onde está o seu próprio centro de gravidade.

Para onde ir a seguir

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