Notas de campoA partir de nossas viagens em primeira pessoa à Tailândia (três visitas) e ao Vietnã (2023)
Preços e regras conferidos pela última vezjulho de 2026
Se você quer dois países do Sudeste Asiático numa só viagem, Tailândia e Vietnã combinam como poucos. Bangkok e Ho Chi Minh estão a apenas uma hora e meia de voo — as companhias de baixo custo voam várias vezes ao dia — e, ainda assim, as duas viagens têm um caráter completamente distinto. Aqui está como conectá-las com eficiência: a ordem, a conexão aérea e como dividir as noites.
A versão curta: o roteiro de 8 dias num relance
| Trecho | Estadia | Transporte |
|---|---|---|
| Voo de chegada → Bangkok | 3 noites (+ bate-volta a Ayutthaya) | Chegada de longo curso (do Brasil, com conexão; Bangkok é uma grande porta de entrada internacional) |
| Bangkok → Ho Chi Minh | 3 noites (+ Mekong / Cu Chi) | Cerca de 1h30 de voo (companhias de baixo custo frequentes) |
| Ho Chi Minh → voo de volta | — | Volta de longo curso (com conexão; muitos voos saem à noite) |
Recomendamos fazer na ordem Tailândia → Vietnã, por duas razões: Bangkok é uma das portas de entrada internacionais mais bem conectadas da região, o que torna o começo da viagem cômodo; e a progressão fica natural: deixe a Tailândia luminosa e cheia de sabores te aclimatar ao Sudeste Asiático e depois desça ao mundo mais denso e labiríntico do Vietnã. A ordem inversa também funciona, mas para uma primeira viagem ao Sudeste Asiático esta direção fluiu melhor na prática. Os dois países compartilham preços camaradas e a comida no papel de protagonista, e ainda assim o ar de suas ruas é completamente distinto. Atenção às regras de entrada, que diferem bastante para o passaporte brasileiro (detalhes mais abaixo).

Trecho 1: chegada a Bangkok (aclimate-se com a variedade)
Bangkok é uma cidade onde as barraquinhas de rua e os botecos comandam. Arroz com frango escaldado em Pratunam, pad thai, espetinhos e doces nos mercados noturnos: a densidade de coisas deliciosas por algumas dezenas ou poucas centenas de bahts está em outro nível. Some a isso o ouro dos três grandes templos (o Grande Palácio, Wat Pho, Wat Arun), a febre de uma noite de Muay Thai e os mercados ao anoitecer. O roteiro completo está no nosso guia de viagem de Bangkok. Dedique um dia às ruínas de Ayutthaya, Patrimônio Mundial, e você terá o contraste entre templos vivos e uma capital real caída. Quer praia também? Uma versão ampliada encaixa Phuket antes deste circuito (acrescente 3 noites nesse caso).

Trecho 2: de Bangkok a Ho Chi Minh (90 minutos de voo, rumo à profundidade)
De Bangkok (Suvarnabhumi ou Don Mueang) até Ho Chi Minh (Tan Son Nhat), companhias de baixo custo como VietJet e Thai AirAsia levam cerca de 1 hora e 30 minutos. Com vários voos ao dia, o horário se adapta a você. Ho Chi Minh é a cidade do grande rio, dos becos e do café: pho, banh mi, café com ovo e leite condensado, e a enxurrada de motos. A imagem completa da cidade está no nosso guia de Ho Chi Minh. Use-a como base e acrescente dois passeios — os sampanas e os vaga-lumes do passeio pelo rio Mekong e a fortaleza subterrânea dos túneis de Cu Chi — e a variedade luminosa da Tailândia dá lugar às horas profundas e concentradas do Vietnã.

Dividir as noites: “3-3” como base, “4-4” para comer pra valer
A base é Bangkok 3, Ho Chi Minh 3: seis noites. Cada cidade leva dois dias de cidade mais um passeio, o suficiente para captar o essencial. Se comer é a prioridade, estique para quatro noites em cada uma e vasculhe os mercados e os botecos a fundo: um luxo bem do Sudeste Asiático. Com poucos dias? Corte os passeios e fique duas noites em cada uma: mesmo quatro noites dão a satisfação de ter posto o pé em dois países. Há duas direções para ampliar: (1) as praias de Phuket pelo lado tailandês (somando um resort tropical) ou (2) Hanói ou Da Nang pelo lado vietnamita (as caras distintas do norte e do centro, que pretendemos cobrir em futuras saídas de campo). Ambas se conectam por voos domésticos.
Reserva e preparativos: o pulo do gato de uma viagem de dois países pelo Sudeste Asiático
- 1. Voos (open-jaw / multidestino) — do Brasil não há voo direto para Bangkok: conte com pelo menos uma conexão (via Oriente Médio ou Europa, ~25-30h no total). Reserve a entrada por Bangkok e a saída por Ho Chi Minh e a rota sai em linha reta. As companhias de baixo custo entre as duas cobram a bagagem despachada à parte, então compare os preços totais
- 2. Regras de entrada (passaporte brasileiro — atenção, diferem entre os dois) — na Tailândia, o brasileiro entra sem visto por até 90 dias, mas precisa do TDAC (cartão de chegada digital, registrado on-line até 72h antes) e, por sair do Brasil (área de risco de febre amarela), pode ser exigido o certificado internacional de vacina de febre amarela. Já no Vietnã NÃO há isenção para brasileiros: o e-visa é obrigatório (solicite em evisa.gov.vn, a partir de ~US$ 25) — a única exceção é a ilha de Phu Quoc (30 dias sem visto em entrada/saída direta pela ilha). Confirme sempre as regras oficiais mais recentes antes de embarcar
- 3. Moeda — o baht tailandês e o dong vietnamita são coisas à parte. Os dois países puxam muito para o dinheiro em espécie em vários contextos, e as barraquinhas e os mercados querem notas pequenas
- 4. Clima — a estação seca do sul da Tailândia vai de novembro a abril, e o sul do Vietnã coincide. Do fim do ano à primavera é o momento ideal para os dois (as pancadas da estação úmida raramente arruínam os passeios, mas os vaga-lumes e as praias preferem os meses secos)
- 5. Animais e experiências — não cobrimos passeios de elefante, shows com animais nem outras atrações com problemas de bem-estar animal. Deixe o risco da higiene das barraquinhas para quando seu corpo já tiver se adaptado
Para quem este circuito encaixa, e para quem não
Bom encaixe: viajantes cujas viagens giram em torno de comer; quem quer a máxima intensidade com preços modestos; quem quer as caras “luminosa” e “profunda” do Sudeste Asiático de uma só vez. Mau encaixe: quem prefere uma única cidade, devagar e a fundo; quem se esgota com calor e barulho; quem só quer o descanso de resort (nesse caso, Phuket sozinha é a melhor viagem). São dois países intensamente urbanos, então programe um dia de “não fazer nada” no meio e sua energia aguenta até o fim. Também vale a pena ler antes os guias de país de Tailândia e Vietnã, para ver qual te puxa mais.
O que enche primeiro e os trâmites — os requisitos de entrada são coisas diferentes nos dois países
A primeira coisa que trava nesta volta não são os hotéis nem os passeios, e sim os trâmites de entrada. Os requisitos são completamente diferentes nos dois países e ambos são dos que se resolvem antes de partir.
- A Tailândia exige de todos o registro prévio do cartão digital de chegada (TDAC). O registro é gratuito e abre 72 horas antes da chegada; apresenta-se um QR code. O único site oficial é tdac.immigration.go.th; cuidado com sites imitadores que cobram (julho de 2026)
- Para o Vietnã NÃO há isenção para brasileiros: o e-visa é obrigatório e solicita-se online antes da viagem (confirme condições e taxa no oficial evisa.gov.vn). Desde abril de 2026 o aeroporto de Tan Son Nhat testa uma declaração online antes da chegada, por ora voluntária e gratuita
- A necessidade de dinheiro também difere: nos três grandes templos de Bangcoc, o Wat Pho (300 B) e o Wat Arun (200 B) cobram o ingresso só em dinheiro, e a barca custa 5 B por pessoa. As barracas também. Levar bastantes notas pequenas mantém você em movimento
- Na estação seca os passeios enchem: o bate-volta às Phi Phi a partir de Phuket pode estar lotado mesmo reservando na véspera. Garanti-lo assim que tiver datas é o prudente
Antes da hospedagem e das passagens, resolva o registro do TDAC e a checagem da validade do passaporte para o Vietnã. Esses dois são gratuitos e são os únicos itens sem conserto no próprio dia.
Como se mover entre Tailândia e Vietnã — por que voar é na prática a única opção
A resposta para «como vou da Tailândia ao Vietnã» é quase inteiramente de avião. Por terra existe, mas os dois países não fazem fronteira e seria preciso atravessar o Camboja ou o Laos. Sem folga no calendário não é realista.
- Leva cerca de uma hora e meia: de Bangcoc (Suvarnabhumi ou Don Mueang) a Ho Chi Minh (Tan Son Nhat), com companhias de baixo custo como VietJet ou Thai AirAsia. Há vários voos por dia
- Quem tem dois aeroportos é o lado de Bangcoc: Suvarnabhumi e Don Mueang são aeroportos diferentes, por isso ⚠confirme sempre qual a sua reserva usa. O tempo desde a cidade muda
- Por terra somam-se países de passagem: como Tailândia e Vietnã não se tocam, ir por terra implica transitar pelo Camboja ou pelo Laos. Se montar como viagem de dois países, voar sem mais deixa mais dias para a experiência
⚠Os requisitos de entrada são coisas diferentes nos dois países. Tailândia: registro online gratuito a partir de 72 horas antes da chegada e QR code; Vietnã: não há isenção para brasileiros, o e-visa é obrigatório e pede-se online antes da viagem. Conte que uma só viagem implica mesmo assim dois trâmites (julho de 2026).
Por qual começar — a ordem muda a impressão da viagem
Resolvido o transporte, o seguinte é a ordem. A referência são três noites em Bangcoc e três em Ho Chi Minh, um «3-3», e recomendamos aclimatar-se primeiro na variada Tailândia e entrar depois no Vietnã mais denso.
- Por que a Tailândia primeiro: Bangcoc tem templos, comida de rua e compras, uma superfície de entrada ampla em que se cai bem mesmo sendo a primeira vez no Sudeste Asiático. Habituado ali, a torrente de motos de Ho Chi Minh lê-se como espanto e não como desconcerto
- Se for pela comida, «4-4»: as duas são cidades gastronómicas, então somar uma noite a cada uma muda a densidade da viagem
- O voo noturno de volta é aproveitável: com uma partida de madrugada de Ho Chi Minh sobra o último dia inteiro (Vietnã: 9 lugares para ver)
Para onde ir a partir daqui
- 🇹🇭 Guia de viagem da Tailândia (Bangkok, Phuket, Ayutthaya)
- 🇻🇳 Guia de viagem do Vietnã (Ho Chi Minh, o Mekong, os túneis de Cu Chi)
- Escolha sua próxima viagem pela gastronomia → Destinos gastronômicos


