As Filipinas não são um país feito só de praias. Mais de mil colinas cônicas que vão até o horizonte, um cruzeiro com almoço por um rio de selva, cardumes de sardinhas que enchem todo o campo de visão e uma Manila que muda a uma das velocidades mais altas do Sudeste Asiático: natureza e cidade numa mesma viagem, é assim que este país é construído.
Este artigo divide nove lugares em seis em Bohol, dois em Manila e um para comer, com preços, tempos e para onde seguir (Cebu e Palawan não entram). O brasileiro entra sem visto por até 59 dias (uma cota especial; o padrão para muitos passaportes é 30 dias), e são exigidos o registro eTravel e a comprovação de passagem de saída. Os detalhes estão no guia de viagem das Filipinas (preços e regras em julho de 2026).
Primeiro a geografia: dois dias na ilha, dois na cidade
Bohol fica a uns 90 minutos de Manila em voo doméstico (aeroporto internacional de Bohol-Panglao). Os pontos principais da ilha cabem num dia de terra, então com mais um dia de mar é preciso contar pelo menos duas noites: a divisão «um dia de terra, o resto de mar» é a proporção áurea de uma estadia em Bohol. Dois dias de Manila antes e depois, e a viagem dá uma semana.
Seis em Bohol: um dia de terra, um dia de mar
O dia de terra segue uma forma fixa: cruzeiro com almoço → tirolesa → Chocolate Hills. Um carro com motorista custa por dia uns 2.500 a 3.500 pesos (cerca de 40 a 56 €), e ⚠reservar pela hospedagem ou no local é mais confiável do que pelos aplicativos de transporte: os preços ficam mais claros do que procurando no próprio dia.
Uma ordem que funciona: sair da hospedagem de manhã → santuário dos társios → Chocolate Hills → ao meio-dia o cruzeiro pelo rio Loboc → à tarde uma parada como a igreja de Baclayon → ao anoitecer, de volta a Panglao. ⚠Se entrar uma igreja, leve algo que cubra ombros e joelhos; o ar-condicionado do carro é forte, então um casaco ajuda. A ilha funciona por «um dia de terra, o resto de mar», então ⚠não dá para emendar um mergulho de manhã com uma rota de terra à tarde: dê à terra um dia inteiro.
As Chocolate Hills: mais de mil colinas cônicas
Mais de mil colinas cônicas quase idênticas, de várias dezenas de metros de altura: uma paisagem formada pela erosão milenar do calcário que não tem igual no mundo. Do mirante principal, no município de Carmen (entrada 100 pesos, cerca de 1,60 €, das 6h às 18h), abre-se um panorama de 360 graus de colinas. ⚠A luz do fim da tarde levanta a sombra de cada colina, então organize a rota de terra para chegar por volta das 16h. Na estação seca o capim amarela até a cor de chocolate que dá nome a elas (para isso, mire a segunda metade da estação seca, de março a maio).

O cruzeiro pelo rio Loboc: um restaurante flutuante que vira barco
No rio do sul da ilha o chamariz é um restaurante flutuante coberto que simplesmente vira barco, com almoço em bufê incluído, cerca de 1.000 pesos. Uma superfície de rio verde-esmeralda que se enfia entre coqueiros, e exatamente na velocidade certa. ⚠Coloque aqui o almoço do dia de terra: se deslocar, comer e ver paisagem ao mesmo tempo é a montagem de tempo mais eficiente da ilha.

A tirolesa: adrenalina sobre o desfiladeiro
Depois do cruzeiro, a tirolesa sobre o desfiladeiro de Loboc. Altura tem, mas o cinto segura. O papel dela é devolver alguma coisa a um corpo que o almoço deixou relaxado, e daí o dia tira sua forma: comer, voar, olhar.
O santuário dos társios: «olhar em silêncio» não se negocia
O társio-das-filipinas, com cerca de 10 cm de corpo, é um dos menores primatas do mundo e se observa no santuário (entrada cerca de 170 pesos). ⚠Ele é extremamente sensível ao estresse, daí a etiqueta: escolher um santuário e não uma exibição, nada de flash nem de voz alta, e ficar parado a distância. Os vivos são difíceis de fotografar; as estatuetas do recinto, quantas vezes você quiser.
O cardume de sardinhas: dezenas de milhares de peixes como um só animal
O segundo papel principal de Bohol é o mar. Um cardume de sardinhas em que dezenas de milhares de peixes mudam de forma como se fossem um único animal, mais uma alta probabilidade de ver tartarugas marinhas, é o que torna estas águas especiais. Dê o dia de mar ao mergulho ou ao snorkel, e a manhã seguinte à rota de terra é o lugar natural dele. ⚠O cardume de sardinhas em frente à ilha de Balicasag também se vê de snorkel, sem ser mergulhador.
O momento em que a luz do sol entra na água e se quebra contra o cardume é a imagem que fica até para um iniciante. ⚠O batismo de mergulho e as saídas de snorkel se reservam na véspera nas lojas da praia, embora na alta temporada seja melhor com antecedência. ⚠A estação seca vai de dezembro a maio; na das chuvas as pancadas são curtas e as manhãs costumam estar limpas, então a estação chuvosa ganha com folga em preço e em gente, só que você encontra colinas verdes e não cor de chocolate.

As praias de Panglao: a ilha do aeroporto é a da hospedagem
Quando, antes de pousar, se abrem na janela os degradês dos bancos de coral, isso é Panglao. O aeroporto fica desse lado, então a rota de terra termina ao anoitecer de novo aqui, na praia. ⚠Quem entende a estrutura — o interior de Bohol e Panglao, onde se dorme, são duas ilhas distintas (ligadas por pontes) — não erra no cálculo dos tempos (Bohol: rota de um dia).
Dois em Manila: 400 anos e os andares altos de hoje
Intramuros: 400 anos de história em meio dia
A cidade murada da época colonial espanhola. Em meio dia se percorrem 400 anos de história, ida e volta. Se você vem até aqui das torres de Makati ou de BGC, sente como dentro de uma única cidade os séculos se movem: isso é o mais interessante de Manila.
Makati e BGC: uma cidade baixa ao pé das torres
A mudança das cidades do Sudeste Asiático, debaixo dos seus pés. Makati é o centro estável — no bairro de arranha-céus da capital financeira se concentram shoppings, restaurantes e hotéis —, enquanto BGC tem as calçadas largas e o verde de uma cidade planejada, mais arte em LED enorme e cafés estilosos: a «Manila que se caminha». Dos andares altos de Makati, o contraste de uma cidade baixa ao pé das torres cai num olhar só. Do aeroporto NAIA a Makati ou BGC, o mais seguro é o aplicativo Grab, com a tarifa à vista (entre 30 e 60 minutos conforme o trânsito). ⚠Com os táxis de rua ainda há discussão por causa do taxímetro (Roteiro Manila e Bohol).
Um para comer: «comida para arroz branco»
O sisig e a cozinha filipina: fixe os cinco primeiros pratos
A cozinha filipina é uma cozinha para arroz branco. O primeiro prato é o sisig: carne de porco picada fina, entre outras partes da carne de rosto, temperada com calamansi (a fruta cítrica filipina) e pimenta e servida em chapa de ferro em brasa, e quebra-se um ovo por cima, mistura-se e joga-se sobre o arroz. O chicken inasal é frango marinado com urucum e capim-limão e assado na brasa, e de doce há o leche flan (um pudim denso) e o halo-halo.
De sopa se pede sinigang: um caldo construído sobre a acidez do tamarindo. Na primeira colherada escapa alguma coisa, mas com este calor e esta umidade você entende por que o ácido funciona. O lechón (leitão inteiro assado) é o rei da comida de festa, o chamariz reluzente de mercados e casas especializadas. ⚠Tome os cinco primeiros na ordem sisig → sinigang → chicken inasal → lechón → leche flan e não tem erro. ⚠Na dúvida, entre num restaurante filipino moderno: uma casa que sirva os clássicos com mão de hoje é o caminho mais curto para quem começa. E ⚠o mesmo prato numa casa de comida de bairro e num restaurante de shopping muda completamente em preço e em sabor, então provar os dois no mesmo dia abre toda a amplitude desta cozinha (O que comer nas Filipinas).
Por número de dias: até onde chegam estes nove lugares
- 2 noites: só Bohol: um dia de terra mais um dia de mar. Os três grandes — Chocolate Hills, rio Loboc e társios — cabem num dia só
- Uma semana: os nove lugares: dois dias de Bohol e dois de Manila é a divisão de referência. Com os dias de viagem de ida e volta, dá uma semana (Roteiro Manila e Bohol)
- Emendar com Cebu: cerca de duas horas de ferry rápido a partir de Cebu é outra opção. Não é preciso passar por Manila
Três coisas para fechar antes de sair
- O registro eTravel: ⚠ao entrar nas Filipinas todo mundo deve se registrar de graça dentro das 72 horas anteriores à chegada (etravel.gov.ph), e no balcão do aeroporto pedem o código QR. ⚠Sites intermediários pagos são golpe: use só o oficial
- Passagem de saída e validade do passaporte: o brasileiro entra sem visto por até 59 dias (cota especial; o padrão para muitos passaportes é 30 dias), mas exige-se a comprovação de passagem de saída e validade do passaporte de estadia mais seis meses. Os detalhes estão no guia de viagem das Filipinas
- Reservar a rota de terra pela hospedagem: um carro com motorista custa 2.500 a 3.500 pesos por dia, e reservá-lo na hospedagem ou no local é mais confiável do que pelos aplicativos e mais transparente do que improvisar. ⚠Sobre segurança: no centro de Makati e em BGC há gente também à noite, mas ainda assim não ande sozinho de madrugada nem leve o celular à vista no meio da multidão
Preços e regras mudam. Como o eTravel está sendo aplicado e quanto custam as entradas, confira em fontes oficiais antes de ir. O país inteiro está no guia de viagem das Filipinas.



